Astronomia de Zandria

O Céu Segundo os Povos de Zandria
Os habitantes de Zandria desconhecem a verdadeira natureza dos corpos celestes. Sabem apenas que o Sol percorre os céus, que o ano possui doze meses e que duas luas acompanham as noites desde tempos imemoriais.
A maior delas é chamada de Lua Prateada. Entre os antigos elfos, seu nome era Elaris, uma das Duas Irmãs Celestes. A menor é conhecida por praticamente todos os povos como Lua de Sangue. Os registros élficos mais antigos preservam seu verdadeiro nome: Vaelith, a segunda das Irmãs Celestes.
Os sábios conhecem seus ciclos, registram suas fases e conseguem prever eclipses e conjunções, mas ninguém sabe explicar por que uma lua é prateada enquanto a outra possui a cor do sangue. Essa verdade perdeu-se com o fim da Era Antiga.
As lendas oferecem inúmeras respostas. Algumas afirmam que Elaris e Vaelith eram duas deusas irmãs que caminhavam pelos céus antes da morte dos Deuses Antigos. Outras dizem que Vaelith foi manchada pelo sangue divino derramado durante o Cataclismo. Há ainda aqueles que acreditam que sua coloração reflete, noite após noite, as chamas da Besta aprisionada no Sol. Nenhuma dessas histórias pode ser provada.
A Noite de Sangue

Entre todos os fenômenos celestes, nenhum é tão temido quanto a Noite de Sangue.
Em ocasiões raras, durante uma Grande Conjunção, Vaelith atravessa exatamente diante de Elaris enquanto ambas iluminam o céu noturno. Por alguns instantes, o disco vermelho da Lua de Sangue cobre o centro da Lua Prateada, formando um enorme círculo luminoso envolvendo um núcleo escarlate. Esse fenômeno é conhecido em praticamente todas as culturas como o Olho de Sangue.
Quando o Olho de Sangue se abre nos céus, o mundo inteiro parece prender a respiração. Mesmo os povos que desprezam antigas superstições evitam viajar nessa noite. Dizem que os animais tornam-se violentos e inquietos. Criaturas das Brumas surgem em maior número. Espíritos caminham mais livremente entre os vivos. Muitos juram que antigos selos enfraquecem e que forças esquecidas respondem ao chamado das luas.
Os Homens-Chacal vivem seu momento mais perigoso. Segundo antigas tradições, nenhuma vontade mortal é capaz de conter completamente a maldição quando o Olho de Sangue observa o mundo. Mesmo aqueles que aprenderam a dominar sua natureza precisam lutar contra o impulso da transformação, enquanto os mais fracos entregam-se por completo à fera interior.
Ninguém sabe quantas dessas histórias são verdadeiras.
Mas há um fato que atravessa os séculos: toda vez que o Olho de Sangue surge no firmamento, reis fecham os portões de suas cidades, caravanas interrompem suas viagens, templos permanecem em vigília durante toda a noite e poucos ousam permanecer ao relento até o amanhecer. Em Zandria, existem presságios que nenhum homem sensato desafia.
A Realidade
Zandria orbita uma estrela do tipo G, uma anã amarela semelhante ao antigo Sol da Terra. O planeta é ligeiramente menor que a Terra, porém mais denso, possuindo um núcleo metálico proporcionalmente maior. Essa composição resulta em uma gravidade superficial muito próxima da terrestre, permitindo que a vida tenha evoluído de forma semelhante antes do Cataclismo.
O planeta completa uma rotação a cada 24 horas, estabelecendo a alternância entre dias e noites. Sua órbita ao redor da estrela dura 360 dias, divididos em doze meses de trinta dias. A semana possui seis dias, formando um calendário perfeitamente regular que permanece em uso desde antes do Cataclismo.
Zandria possui dois satélites naturais.
A maior das luas é Elaris, um corpo rochoso de coloração cinza-prateada. Seu ciclo completo dura 30 dias, servindo como referência natural para a contagem dos meses.
A segunda lua é Vaelith, significativamente menor. Sua superfície avermelhada faz com que reflita a luz da estrela em tons que variam entre o laranja intenso e o vermelho escuro. Seu ciclo completo dura 20 dias, completando dezoito voltas ao redor de Zandria ao longo de um ano.
A cada sessenta dias, os ciclos das duas luas voltam a coincidir, produzindo grandes conjunções celestes observadas desde a antiguidade.
Antes do Cataclismo, Zandria possuía quatro estações, determinadas pela inclinação de seu eixo e por sua órbita ao redor da estrela.
Tudo mudou quando o Sol tornou-se muito mais quente. Ao longo de aproximadamente dois anos, os oceanos evaporaram completamente. A perda das grandes massas de água destruiu o equilíbrio climático do planeta e as antigas estações praticamente desapareceram.
Desde então, o clima passou a ser determinado principalmente pela intensidade da atividade solar, dividindo o ano em três grandes ciclos:
- Sol Ascendente, quando o calor aumenta gradualmente.
- Sol Ardente, período de máxima intensidade solar e temperaturas extremas.
- Sol Descendente, quando a atividade da estrela diminui lentamente e as noites tornam-se relativamente mais amenas.
Embora o planeta continue obedecendo aos mesmos movimentos astronômicos, o mundo jamais voltou a conhecer a primavera, o verão, o outono e o inverno.
Estatísticas
| Resumo do Sistema Astronômico de Zandria | |
|---|---|
| Estrela | Anã amarela (classe G) |
| Distância orbital | ~0,96 UA |
| Ano | 360 dias |
| Dia | 24 horas |
| Gravidade | 0,95 g |
| Diâmetro do planeta | 10.700 km |
| Densidade | 6,7 g/cm³ |
| Luas | 2 |
| Lua maior | Prateada, semelhante à Lua terrestre (Elaris) |
| Lua menor | Alaranjada-avermelhada, rica em óxidos de ferro (Vaelith, a Lua de Sangue) |
| Inclinação do eixo | 21° |