Os Nascidos da Bruma (Parte IV) — Segredos, Rumores e a Verdade
"Toda história sobre os Nascidos da Bruma é verdadeira. O problema é que nenhuma conta toda a verdade."
— Arquivista Elyon, Biblioteca Imperial.
Ao longo dos séculos, o isolamento do Mar Morto permitiu que incontáveis histórias surgissem sobre seus habitantes. Algumas são exageradas. Outras nasceram do medo. Muitas foram deliberadamente espalhadas pelos próprios Arquitetos para impedir que curiosos se aproximassem das Brumas.
Paradoxalmente, a maioria dessas histórias contém um fundo de verdade. Os Nascidos existem, capturam pessoas e vivem nas profundezas das Brumas. Mas aquilo que realmente são permanece conhecido apenas por um número extremamente reduzido de indivíduos.
O Que a População Acredita
Para a maioria dos habitantes de Zandia, os Nascidos pertencem ao mesmo universo das histórias contadas ao redor das fogueiras.
Pais alertam seus filhos para jamais se afastarem das caravanas. Viajantes evitam atravessar regiões cobertas por névoa. Exploradores mais velhos juram ter visto figuras observando silenciosamente à distância. Quase sempre essas histórias terminam da mesma forma: alguém desaparece e nunca mais retorna.
Com o passar das gerações, os Nascidos deixaram de ser apenas criaturas desconhecidas e transformaram-se em um símbolo. Representam tudo aquilo que espera além dos limites da civilização. Representam o medo do desconhecido e do inevitável, a própria perda da humanidade.
O Que os Arquitetos Sabem
Entre todas as organizações de Zandia, os Arquitetos são aqueles que mais conhecimento acumularam sobre os Nascidos. A Inquisição mantém registros de centenas de incursões, testemunhos de sobreviventes, mapas incompletos do Mar Morto e estudos sobre a corrupção. Ainda assim, suas conclusões permanecem limitadas.
Os Arquitetos sabem que:
- os Nascidos preservam inteligência e organização;
- vivem em comunidades permanentes nas Brumas;
- capturam pessoas deliberadamente;
- utilizam Corrompidos durante suas incursões;
- mantêm alguma relação com os Leviatãs;
- acreditam sinceramente estar salvando aqueles que capturam.
O restante permanece envolto em incertezas. Nenhum Arquiteto conseguiu infiltrar-se em uma comunidade dos Nascidos e retornar.
O Que os Rebeldes Sabem
Os Filhos da Anarquia possuem muito menos informações. Seu conhecimento foi construído quase exclusivamente por sobreviventes. Entre eles existe uma convicção absoluta: jamais entrar voluntariamente nas Brumas.
Diversas células rebeldes desapareceram tentando utilizar o Mar Morto como rota de fuga. Os poucos sobreviventes jamais relataram tortura, nem campos de prisioneiros ou execuções. Relataram apenas uma tranquilidade perturbadora. Uma sensação constante de que seus captores realmente acreditavam estar fazendo o bem. Essa certeza é suficiente para que praticamente todos os rebeldes tratem as Brumas como território proibido.
O Que os Próprios Nascidos Sabem
Os Nascidos não acreditam possuir uma religião. Nem servem a um deus ou mesmo consideram a si mesmos escolhidos.
Na sua visão, apenas aceitaram uma realidade que o restante da humanidade insiste em negar. As Brumas não precisam ser compreendidas, eles simplesmente precisam apenas ser aceitas. Nascidos não procuram respostas para sua origem ou questionam por que alguns Renascem e outros enlouquecem. Não investigam a natureza da corrupção.
Essas perguntas pertencem ao mundo antigo. E o mundo antigo morreu.
Mistérios Ainda Sem Resposta
Mesmo entre os Nascidos existem perguntas que permanecem sem explicação. Ninguém sabe exatamente o que são as Brumas. Nem por que algumas pessoas Renascem enquanto outras sucumbem.
A verdadeira origem dos Leviatãs permanece desconhecida. A Grande Ferida continua sendo um mistério. Nem mesmo os Anciãos da Névoa afirmam compreender plenamente esses fenômenos.
Sempre que questionados, respondem da mesma maneira.
"Nem toda verdade deseja ser compreendida."
Rumores
Diversos boatos circulam por Zandia, no entanto não há confirmação de nenhum eles, embora não possam ser ccompletamente descartados. Alguns dos mais conhecidos afirmam que:
- existe uma cidade gigantesca escondida nas profundezas das Brumas;
- alguns Arquitetos capturados tornaram-se Anciãos da Névoa;
- Leviatãs transportam comunidades inteiras entre regiões do Mar Morto;
- há crianças que já nascem como Nascidos da Bruma;
- certas tempestades carregam vozes humanas capazes de conduzir viajantes até comunidades ocultas;
- existe um Nascido tão antigo que teria testemunhado o próprio Cataclismo.
A Inquisição trata todos esses relatos como especulação. Ainda assim, continua investigando cada um deles.
Utilizando os Nascidos em Campanhas
Os Nascidos funcionam melhor quando permanecem envoltos em mistério. Durante boa parte de uma campanha, os personagens não precisam enfrentá-los diretamente. É mais interessante que primeiro encontrem seus rastros.
Seja uma caravana desaparecida ou uma aldeia completamente vazia. Pegadas surgindo e desaparecendo na areia. Relatos contraditórios e sobreviventes traumatizados. Somente quando os jogadores compreenderem que existe uma inteligência por trás desses acontecimentos é que o primeiro Nascido deve aparecer.
Mesmo então, ele não precisa agir como um inimigo tradicional. Ele pode conversar, responder perguntas e até mesmo demonstrar compaixão. Agradecer pela resistência oferecida durante uma captura. Quanto mais sereno ele for, maior será a sensação de desconforto.
Os Nascidos não aterrorizam porque são cruéis. Aterrorizam porque acreditam, de forma absolutamente sincera, que estão salvando suas vítimas.
O Verdadeiro Horror
A maior ameaça representada pelos Nascidos não está em sua força militar, nos Corrompidos, nas Bestas das Brumas ou nem mesmo nos Leviatãs. O verdadeiro horror reside na possibilidade de estarem certos.
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E se a corrupção realmente não for uma maldição?
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E se a humanidade estiver apenas adiando uma transformação inevitável?
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E se aqueles que chamamos de monstros forem, na verdade, o próximo estágio da existência?
Nenhum estudioso conseguiu responder a essas perguntas.
Os Arquitetos preferem destruí-los antes que encontrem as respostas. Os Filhos da Anarquia preferem manter a maior distância possível das Brumas. A população prefere fingir que eles sequer existem. E os Nascidos? Apenas esperam.
Última anotação encontrada no diário do explorador Jarek Orun
"Passei anos procurando monstros nas Brumas. Quando finalmente os encontrei, descobri que não gritavam, não rosnavam e não demonstravam ódio. Apenas sorriram para mim. Naquele instante compreendi que, se algum dia eu desaparecesse, ninguém acreditaria quando dissesse que o pior deles era a bondade."